quinta-feira, 19 de julho de 2012

"OS EVENTOS NO MOVIMENTO ESPÍRITA E SUA SINTONIA COM O ESPIRITISMO."

Trecho do artigo "OS EVENTOS NO MOVIMENTO ESPÍRITA E SUA SINTONIA COM O ESPIRITISMO."
"Também, não é raro constatarmos a grande preocupação de algumas instituições espíritas em buscar recursos financeiros para a superação de suas dificuldades econômicas utilizando-se de iniciativas mais sintonizadas com os folguedos e eventos estranhos a moral espírita cristã, do que com aqueles coerentes com os propósitos doutrinários. Os folguedos regionais, como quadrilhas juninas, festas carnavalescas, forró, bingos, cirandas, etc., têm seu espaço devido e seus patrocinadores apropriados, que, decerto, não são nem as casas espíritas nem seus dirigentes. Não que esses eventos não tenham sua ressonância e aceitação na sociedade ou que sejam reprováveis, mas sim, por não se adequarem a proposta do Espiritismo para a humanidade. Senão vejamos; os festejos juninos evidenciam fogueiras, fogos de artifícios e quadrilhas com casamentos matutos que nada têm a ver com o Espiritismo. As festas carnavalescas e bailes de forró são estímulos para comportamentos geradores de desagregação no grupo, principalmente na nossa realidade social tão carente de uma moral e ética apropriadas à paz e a tranqüilidade. Os bingos, por sua natureza de jogo de azar, não se adéquam a prática espírita.
Desenvolver iniciativas voltadas para a moralização da criatura humana é ficar com JESUS. (Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada) É certo que a casa espírita precisa realizar atividades que visem à superação de suas carências, entretanto essas atividades devem somar-se a aquelas, já existentes na instituição, que estimulam as pessoas a colocarem em prática seus sentimentos de solidariedade, fraternidade e caridade que, na sua essência, são manifestações da centelha divina existente em todos nós. Espelhemo-nos no exemplo de Francisco de Assis, que ia aos lares sensibilizar seus moradores a fazerem doações aos pobres (socialmente carente) e enfermos. Nos dias atuais poderíamos ir a empresas comercias e industriais para sensibilizar seus dirigentes a integrá-las nessa jornada de solidariedade humana. Poder-se-ía também, promover feiras de livros espíritas, campanhas de donativos envolvendo freqüentadores e lares vizinhos a instituição, almoços e lanches fraternos, apresentações artísticas (teatro), culturais (poesias, contos e poemas) e musicais (coral e instrumental) com temática espírita, bem como apresentações de filmes seguidos de debates com finalidades doutrinárias
Coloquemos mais confiança nas palavras do Cristo quando nos conclama a confiarmos em DEUS, “Vosso Pai sabe que tendes necessidade de todas elas. Buscai, pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo.” (Mateus, 6 – 32 e 33). Todo aquele que divulga e crê com convicção nos ensinamentos de Jesus, naturalmente, jamais deixará de cumprir com suas orientações, sob pena de se incluir no rol daqueles a quem Jesus endereçou as seguintes palavras: “Por que me chamais vós Senhor, Senhor e não fazeis o que eu vos digo? Todo o que vem a mim, ouve as minhas palavras e as põe em prática.” (Lucas 6 – 46 e 47)
Se formos coerentes com Jesus e com o Espiritismo, decerto estaremos ajudando a construir um novo modo de vida no Mundo e entoando um novo e duradouro cântico de paz e Amor entre as criaturas. Quando as pessoas que vivenciarem a proposta espírita perceberem que ela, ao contrário dos modelos que hoje atraem multidões aos eventos, não só contempla a superação das necessidades e o entretenimento, mas acima de tudo contribui para um estado de felicidade pessoal e coletiva permanente, irão querer transplantá-la para o seu dia a dia, nas suas relações de trabalho, na sua vida familiar, na sua participação social e aí haverá mais instantes felizes entre as criaturas e o Espiritismo terá alcançado sua meta principal que é a de nos motivar a amarmo-nos uns aos outros como Jesus nos ama.
-= Xerxes Pessoa de Luna =-


texto completo em: http://federacaoespiritape.org/orientacoes/eventos-espiritas/
FEP - Federação Espírita Pernambucana
Deus - Cristo - Caridade

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Espírita de berço

Já a algum tempo tenho ouvido aqui ou acolá esse ou aquele integrante do movimento espírita auto declarar-se "Espírita de Berço".

Caso essa expressão queira apenas dizer que nasceu em um lar onde os pais eram praticantes da Doutrina, da Ciência e da Religião Espírita, trata-se de uma condição de maior responsabilidade diante daquele que não alimentou-se dos mesmos conceitos e exemplos desde o nascimento. Porém, se por outro lado, o utilizador dessa expressão busca condição de superioridade em relação a quem quer que seja, demonstra então, que apesar de ter nascido em um ambiente teoricamente iluminado pela Doutrina Espírita, não absorveu, ainda, nem os conceitos básicos dessa fislosofia espiritualista.

Um dos conceitos básicos da Doutrina Espírita é o da reencarnação, que extende os limites da existência para antes do nascimento e para depois da morte. Sob esse contexto, o berço espírita não garante primazia de nada. Uma vez que "muitos dentre aqueles revivem hoje, ou reviverão amanhã, para terminarem a obra que começaram outrora. Mais de um patriarca, mais de um profeta, mais de um discípulo do Cristo, mais de um propagador da fé cristã se encontram no meio deles, porém, mais esclarecidos, mais adiantados, trabalhando, não já na base e sim na cumeeira do edifício. Receberão, pois, salário proporcionado ao valor da obra." (E.S.E. CAP XX, item 03).

Deve-se considerar ainda que é muito comum encontrar pessoas vinculadas a um movimento ideológico qualquer sem conhecer as ideias que deram origem e sustentam o movimento, vivendo de repetir o que é falado por outros. Não poderiíamos esperar que fosse diferente com o MOVIMENTO espírita. Assim sendo, não é difícil encontrar pessoas anos a fio vinculados ao movimento espírita sem ainda conhecer a Doutrina Espírita. Nesse contexto estão todos os que entendem que o "berço espírita" é um galardão ou uma condição de superioridade.

O "berço espírita" se é para usar essa expressão, deve ser entendido apenas como uma condição de maior auto-cobrança para todo aquele que entende ter tido como benção divina essa ajuda inicial na presente encarnação.

Um abraço,

Marcus Vinícius

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Uma abordagem doutrinária sobre a Homossexualidade

RESUMO

Este artigo trata do tema da homossexualidade sob o prisma da Doutrina Espírita. O primeiro e maior desafio consiste em estabelecer uma relação doutrinária com a temática, procurando não contaminar essa relação com interpretações pessoais ou conceitos prévios. Enfim, o que se pretende é apresentar uma visão doutrinária o mais livre possível de uma visão pessoal do autor.

Inicialmente são estabelecidos os conceitos básicos utilizados nas abordagens e explicações sobre o tema, de modo a evitar duplas ou múltiplas interpretações que mais confundem do que esclarecem. Uma vez apresentados e estabelecidos os conceitos básicos, serão apresentadas algumas questões de ``O Livro dos Espíritos" que servirão de ponto de partida para o desenvolvimento de uma linha de raciocínio que a partir da temática da sexualidade irá apresentar uma abordagem doutrinária da homosexualidade.

Em uma terceira parte deste estudo, apresentar-se-á algumas visões e interpretações complementares sobre o assunto, utilizando palavras e termos mais próximos de nosso  contexto social, cultural e histórico, de modo a melhor propiciar condições de reflexão própria para a construção de uma visão doutrinária pessoal para cada um dos leitores.

A expectativa não é a de trazer uma explicação pronta e acabada. A expectativa é de fornecer os elementos doutrinários correlatos para que cada um elabore seu entendimento próprio do assunto, em acordo com seu  estado evolutivo particular. Sob as luzes do Espiritismo e sob as bençãos e o amparo do Cristo, espera-se com este estudo iluminar corações e mentes, para que iluminando a si em primeiro lugar, sejamos sempre um lume em movimento para nós próprios e para a atmosfera que nos cerca.

Introdução


Falar sobre sexualidade, de maneira geral, sempre foi difícil. Ao longo de muitos séculos e ainda  hoje, os temas relativos a sexualidade estão intimamente ligados com muitos outros fatores sociais, culturais, religiosos e psicológicos. E ao  longo  desse  tempo  todo, a maioria das famílias e dos pais tem optado por não abordar o assunto, que acaba  por  ser vivenciado de um jeito ou de outro a partir da adolescência, posto que é impossível deter a vida de relação com o mundo exterior.


E se já é difícil  falar da  sexualidade dita normal, aceita pela sociedade, a abordagem dos comportamentos não  aceitos  é muito mais difícil ainda, porque a não  aceitação  estabelece uma proibição  muitas vezes explícita de que se trate do assunto, fazendo com que usualmente, aborde-se o tema ou pra condenar ou para ridicularizar, evitando-se assim o entendimento, ou em uma hipótese ainda pior, conduzindo ao mal entendimento e à perpetuação  da  ignorância danosa.


Abordar o assunto homossexualidade, com o espírito desarmado, sem medo do que os outros vão pensar, sem o escudo do escárnio das piadinhas e sem paixões ainda não é comum na sociedade em que vivemos. Abordar esse assunto sob a ótica da Doutrina Espírita, é tarefa  que  exige um cuidado redobrado, para que não distorçamos os conceitos doutrinários em favor dos preconceitos pessoais do espírta, principalmente numa época de modismos onde é comum aqui e ali escutarmos as idéias de reformar e atualizar Kardec.


Agora, não é porque o assunto é delicado que vamos fugir do estudo e da análise, e nem tampouco vamos delegar a nossa tarefa de pensar e emitir juízo de valor a outras pessoas, afinal, consciência é pessoal e intransferível. Sendo assim, vejamos a seguir algumas questões do Livro dos Espíritos e procuremos alinhavar algumas idéias a partir das respostas dadas a Kardec.


Consulta às Bases

Analisemos algumas questões do Livro dos Espíritos.


Pergunta 200: Têm sexos os Espíritos?

Resposta: “Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na concordância dos sentimentos.”


Será possível inferir, a partir da resposta a pergunta 200:


  1. Que Os sexos que dependem da organização são os sexos morfológicos estabelecidos  pela biologia ?
  2. Que ao responder, os espíritos superiores entendem o espírito como entidade sem corpo morfológico ? Caracterizada apenas pela sua inteligência e vontade ?
  3. Que mesmo utilizando um corpo, o espírito não é o corpo ?


Que pensaríamos da pergunta: "As mulheres tem bolsa ?". É uma pergunta sem sentido, não é mesmo ? E o que isso tem a ver com o sexo dos espíritos ? Na realidade, os espíritos usam os corpos assim como as mulheres usam as bolsas, e apesar dos corpos e das bolsas estarem intimamente ligados com seus donos, eles não são seus donos. Mas por hora fiquemos por aqui... Vejamos outra pergunta:

Pergunta 201: Em nova existência, pode o Espírito que animou o corpo de um homem animar o de uma mulher e vice-versa?

Resposta: “Decerto; são os mesmos os Espíritos que animam os homens e as mulheres.”


O que inferir dessa resposta ? Algo parecido com a história das bolsas ou das roupas ?  ou seja, ao longo de nossas vidas atuais podemos vestir vários tipos de roupas, dependendo da ocasião e da necessidade... sem com isso deixarmos de ser nós mesmos, e sem com que as roupas se transformem em pessoas dotadas de vontade... O que inferir dessa resposta ? pergunta-se novamente. Vejamos mais uma pergunta:


Pergunta 202: Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher?

Resposta: “Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar.”


Comentário de Kardec: " Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres, porque não têm sexo. Visto que lhes cumpre progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social,  lhes proporciona provações e deveres especiais e, com isso, ensejo de ganharem experiência."


Uma informação doutrinária importante nessas três respostas é que os espíritos não tem sexo, no sentido que biologicamente entendemos. Os corpos que os espíritos utilizam em suas várias encarnações é que tem o sexo, assim como as roupas que usamos podem ter caracteres distintos, um mesmo espírito, ao longo de sua jornada evolutiva pode utilizar corpos masculinos ou femininos, conforme a necessidade de crescimento e aprendizado.


Vejamos agora outras perguntas e respostas de um outro capítulo do Livro dos Espíritos:

Pergunta 686: É lei da Natureza a reprodução dos seres vivos?

“Evidentemente. Sem a reprodução, o mundo corporal pereceria.”

Pergunta: 693: São contrários à lei da Natureza as leis e os costumes humanos que têm por fim ou por efeito criar obstáculos à reprodução?

“Tudo o que embaraça a Natureza em sua marcha é contrário à lei geral.”

Pergunta 694: Que se deve pensar dos usos, cujo efeito consiste em obstar à reprodução,  para satisfação da sensualidade?

“Isso prova a predominância do corpo sobre a alma e quanto o homem é material.”

Pergunta 700: A igualdade numérica, que mais ou menos existe entre os sexos, constitui  indício da proporção em que devam unir-se?

“Sim, porquanto tudo, em a Natureza, tem um fim.”

Na seqüencia de perguntas que vai desde a 686 até a pergunta 701, é evidente a preocupação de Kardec com os métodos contraceptivos, a ética na engenharia genética (inexistente a época), o casamento e o celibato. Porém o mais interessante dessa seqüência é o caráter geral da Lei Divina que transparece e intermedia todas as respostas... e mesmo que não se fale especificamente de Homossexualidade, analisemos atentamente as respostas e iremos concluir o seguinte:


  1. A reprodução da espécie humana é da lei divina. (686)
  2. Tudo que obste ou impeça a reprodução humana é contrário à Lei divina (693)
  3. É comum no atual estágio evolutivo humano obstar-se a lei para satisfazer o prazer   sexual (chamado de sensualidade) (694)
  4. O natural é que os homens se unam às mulheres, razão de ser da proporção numérica entre os sexos, pois tudo na natureza tem um fim (700)


A partir das conclusões parciais das perguntas anteriores, pode-se proceder uma análise de conformidade com a lei Divina relativa à união de seres do mesmo sexo. Assim, analisemos:


1 Do ponto de vista da procriação, a união de seres com o mesmo sexo        impede ou não impede a procriação ?

2 Impedir a procriação é contrário à Lei Divina ?

3 Do ponto de vista da proporção numérica natural que existem entre homens e mulheres, a união de seres do mesmo sexo é contrária à lei Divina ?

Analisando as questões acima, pode-se precipitadamente querer utilizar a Doutrina para condenar comportamentos. Antes de mais nada, é importante lembrar que existem uma série de outros comportamentos humanos que são contrários às leis divinas, como fumar, ingerir alcoólicos, mentir, comer mais do que o necessário... e por aí vai. Mas... para não fugirmos do foco do assunto lembremos que estamos analisando a questão da homossexualidade, que é um caso particular da sexualidade

Para entender a homossexualidade, sob qualquer ótica, inclusive a espírita, é necessário, entender antes a sexualidade. A partir da análise das perguntas e respostas propostas até aqui, é possível inferir que:


1 O que determina o comportamento sexual é o espírito e não o corpo.

2 O que a sociedade usualmente aceita como normal é a equivalência entre a morfologia  biológica e o pisiquismo sexual, assim, o que a sociedade espera é que os psiquismos    masculinos estejam encarnados em corpos masculinos, e o mesmo em relação aos espíritos com psiquismo feminino encarnando em corpos biologicamente femininos.

3 Ao longo da jornada imortal de milhares de séculos, o espírito experimenta e aprende a vivenciar suas características psíquicas femininas e masculinas ambas presentes em sua essência espiritual e ambas necessárias à sua evolução global, Por isso experimenta vivências ora encarnando com o psiquismo predominante masculino, ora o feminino.

4 O prazer sexual é, em última análise, desejado e sentido pelo espírito, sendo o corpo um agente intermediário na captação e transmissão das sensações, uma vez que em nosso  atual estágio evolutivo, necessitamos dos nossos corpos para estabelecer relação de  intercâmbio energético entre espíritos.

5 No atual estágio de desenvolvimento humano, o ato sexual entre os corpos biológicos é uma ação que transmite aos nossos espíritos sensações prazerosas, e em muitos casos essas sensações são tão intensas que o espírito as busca de formas viciosas, normalmente afastando-se da lei divina.

6 Mesmo que a morfologia do corpo não seja equivalente ao psiquismo sexual  predominante,  prevalecerá a vontade do espírito. Nesses casos se verificará a tendência  ao comportamento que a ciência moderna classifica como homossexual.

7 A tendência a um comportamento, não necessariamente implica na manifestação do comportamento. Assim, é possível que uma pessoa com tendências suicidas viva uma vida inteira, sem que necessariamente suicide-se. O mesmo pode ocorrer com a tendência ao comportamento homossexual.


Visão de Emmanuel

O Livro dos Espíritos apresenta a Doutrina Espírita com a simplicidade e a generalidade naturais aos Espíritos Superiores. Os conceitos são atemporais, isto é, válidos em qualquer época. Mas a simplicidade não é uma característica humana, pois se assim fosse nos bastariam os dez mandamentos. O dez mandamentos não foram suficientes... muitas leis e explicações de leis seguiram-se a eles. E mesmo sendo a doutrina extremamente clara em o Livro dos Espíritos, muitos livros desenvolvendo
os raciocínios ali contidos foram escritos. Um desses livros chama-se ``Vida e Sexo" do autor espiritual Emmanuel sob a psicografia de Francisco Cândido Xavier. Nesse livro existe uma seção específica dedicada a análise da homossexualidade. O texto extraído dessa seção encontra-se no apêndice  do presente artigo, e dele destacam-se os seguintes trechos:


Trecho 1:

A homossexualidade, também hoje chamada transexualidade, em alguns círculos de ciência, definindo-se, no conjunto de suas características, por tendência da criatura para a comunhão afetiva com uma outra criatura do mesmo sexo [...]


Neste trecho podemos perceber uma definição, que é um importante passo no entendimento de algo. Neste trecho define-se homossexualidade como sendo  a tendência da criatura para a comunhão  afetiva com outra criatura do mesmo sexo


Trecho 2:


[...] A coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade  e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos [...]


Mais uma vez a explicação de que não é o hábito que faz o monge, ou em português bem claro, não é a existência ou a ausência de um órgão sexual que determina o psiquismo de um espírito.


Trecho 3:


[...] através de milênios e milênios, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações,  ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas.

O homem e a mulher serão, desse modo, de maneira respectiva, acentuadamente masculino ou acentuadamente feminina, sem especificação psicológica absoluta. A face disso,  a individualidade em trânsito ( grifo do presente texto), da experiência  feminina para a masculina ou vice versa, ao envergar o casulo físico, demonstrará fatalmente  os traços da feminilidade em que terá estagiado por muitos séculos, em que pese ao corpo de formação masculina que o segregue, verificando-se análogo processo com referência  à mulher nas mesmas circunstâncias.[...]


Nesse trecho é apresentada uma causa para a homossexualidade. Que é a transição da encarnação em que se dá no mudança entre a experiência de uma sexualidade para outra. Desse ponto de vista, e considerando que forçosamente temos que vivenciar experiências com os pisiquismos masculinos e femininos, todos passaremos ou já passamos por essas fases de transição e de dificuldades de adaptação.


Trecho 4:


[...]O homem que abusou das faculdades genésicas, arruinando a existência de outras pessoas com a destruição de uniões construtivas e lares diversos, em muitos casos é induzido a buscar nova posição, no renascimento físico, em corpo morfologicamente feminino, aprendendo, em regime de prisão, a reajustar os próprios sentimentos, e a mulher que agiu de igual modo é impulsionada à reencarnação em corpo morfologicamente masculino, com idênticos fins.[...]


Nesse trecho, apresenta-se outra causa para a homossexualidade.

As elucidações de Emmanuel vêm reforçar os aspectos doutrinários explanados no Livro dos Espíritos, clareando ainda mais os conceitos e indo além, apresentam duas causas espirituais para a tendência ao comportamento homossexual. Além disso, é fácil entender no texto de Emmanuel o quão equivocado é o julgamento de anormalidade que muitas vezes adotamos em relação as minorias, mostrando que a condenação e a ridicularização do comportamento homossexual é sempre prova de considerável inferioridade espiritual


Visão de Joseph Gleber

Uma outra abordagem bastante racional e elucidativa sobre o tema dos comportamentos sexuais foi desenvolvida pelo espírito Joseph Gleber, no livro ``Além da Matéria", psicografado por Robson Pinheiro. Essa abordagem está desenvolvida no capítulo 4 desse livro cujo título é Polaridade. Desse capítulo destacamos os seguintes trechos:


Trecho 1

[...] TUDO NO UNIVERSO CAMINHA para a unidade. Contudo, nesse processo de caminhada o mundo ainda vivencia e vibra na polaridade. Há sombra e luz, preto e branco, bem e mal, feminino e masculino, positivo e negativo. [...]


Uma interpretação plausível para esse trecho é que a questão da manifestação sexual é uma preocupação da nossa época. Assim, como em tempos idos o fogo era quase sagrado e hoje é apenas o fogo, as questões relativas aos comportamentos sexuais e às paixões suscitadas por essa temática é da nossa época, e em estágios mais evoluídos a questão do sexo é um assunto de importância relativa bem menor do que é para a nossa humanidade.


Trecho 2


[...] Positivo e negativo são classificações adotadas pela ciência para identificar as duas polaridades das correntes elétricas. Feminino e masculino classificam a polaridade da sexualidade humana.[...]


Nesse trecho, Gleber apresenta um conceito que mais tarde será utilizado em uma convenção de sinais.


Trecho 3


[...] É importante compreender que os fatores positivos e negativos não estão
necessariamente associados aos conceitos de moralidade e, por isso, nada têm a ver com o bem ou o mal realizado pelo indivíduo.[...]


Trecho 4


[...] Negativo é sinônimo de passividade [...] são fatores negativos o sentimento, a emoção, a experiência de meditação ou a sensibilidade extrema.



Trecho 5


[...] Fatores positivos, masculinos, [...] podem ser identificados na razão, na irritabilidade, na capacidade de tomar decisões, na clareza mental ou nas relações comerciais.[...]


Trecho 6


[...] Assim, um espírito que traga em si maior combinação de fatores nagativos haverá de se apresentar com sensibilidade muito maior do que aquele em cujo espírito haja maior soma de fatores positivos, masculinos. A apresentação do indivíduo no cotidiano, ao realizar seu papel nas experiências da vida, nada tem a ver com o seu aspecto físico ou com sua morfologia [...]


Trecho 7

[...] Quando há semelhança entre a morfologia e o conteúdo psicológico, na sociedade se diz que há equilíbrio do indivíduo, e, ao contrário, quando a psicologia difere da morfologia, diz-se que há desequilíbrio.


Essas classificações simplistas podem constituir recursos de pessoas ignorantes de certas leis do mundo espiritual e energético, a fim de defender postura rígidas e já ultrapassadas. Caso a semelhança entre a morfologia humana e o conteúdo psicológico fosse sinônimo de seres equilibrados, não observaríamos os diversos comportamentos irracionais, anti-humanitários, e grosseiros de pessoas consideradas heterossexuais.[...]


Trecho 8


[...]Com nossas considerações não estamos defendendo posturas íntimas deste ou daquele grupo mas, sim, nos esforçando para que meus irmãos compreendam que os fatores externos, visíveis, físicos e próprios da morfologia do ser humano estão subordinados aos fatores internos, psíquicos
ou conteúdos psicológicos.[...]


O capítulo prossegue com mais elucidações e esclarecimentos sobre o tema. Porém, para os objetivos pretendidos neste estudo, a luz lançada é suficiente para iluminar nossas mentes e nos proporcionar um considerável salto qualitativo no entendimento das questões relativas à sexualidade.


Considerações Finais

Como foi dito na introdução do presente estudo, abordar a temática sexual em uma sociedade onde predominam as manifestações exteriores é sempre um desafio. É preciso estar com a mente atenta para não se enveredar pelos caminhos do dogmatismo religioso e nem posturas políticas deste ou daquele grupo.


E mesmo apesar da nossa época, já existem na Doutrina Espírita, elementos conceituais e elucidações doutrinárias suficientes para que evitemos e brevemente eliminemos em cada um de nós os comportamentos retrógrados da condenação ou da ridicularização de qualquer que seja a manifestação de psiquismo sexual que se nos apresente em nossa frente.


O ser humano evolui solidariamente, vivendo essencialmente entre desiguais, com histórias pessoais diferentes, estruturas psicológicas e morfológicas diversas, visões e entendimento da criação e das criaturas muito diversos. Achar-se certo, julgando os demais errados já é indício de atraso espiritual.


A tendência ao comportamento, ou mesmo o comportamento homossexual tem as causas na estrutura psicológica do espírito. E em nosso mundo é sempre uma experiência muito difícil de ser vivenciada, posto que a ignorância dominante condena tais posturas, colocando muitas vezes o espírito que vive essa condição em situações limite que muitas vezes levam ao desequilíbrio e ao sofrimento.


Ao avançar na compreensão das forças sexuais do espírito, cada ser será capaz de acertadamente conduzir-se na vida encarnada de relação com os outros usando o corpo que recebeu, fazendo com que o entendimento domine os chamamentos da matéria corporal. E sejam os aspectos predominantes femininos ou masculinos, o espírito encarnado saberá conduzir-se com o máximo equilíbrio que lhe seja possível, independente da morfologia que anime.


Como dito, o presente estudo não trouxe respostas prontas. Optou-se por lançar luz sobre certos aspectos e suscitar indagações sobre outros, fornecendo elementos necessários para a reflexão própria e confiando na capacidade de cada um de construir o próprio entendimento de si e dos universos que nos cercam.


Que Jesus nos ilumine sempre em nossa jornada evolutiva, nos auxiliando a entender primeiramente a nós mesmos, para que a partir dessa compreensão de si, aprendamos a aceitar e a amar nossos semelhantes, respeitando o momento evolutivo de cada um.


Graça e Paz a todos !


Referências Bibliográficas

1 O Livro dos Espíritos, questões 201, 202, 686 a 700

2 Vida e Sexo, de Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, Item 21.

3 Além da Matéria, de Joseph Gleber, psicografia de Robson Pinehiro, Capítulo 4.


Apêndice


HOMOSSEXUALIDADE

Extraído do Livro Vida e Sexo, de Emmanuel, psicografia Francisco Cândido Xavier

Pergunta - Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um
homem, ou no de uma mulher? Resposta: - Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar. pergunta n. 202, de "O Livro dos Espíritos".


A homossexualidade, também hoje chamada transexualidade, em alguns
círculos de ciência, definindo-se, no conjunto de suas características, por tendência da criatura para a comunhão afetiva com uma outra criatura do mesmo sexo, não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível, à luz da reencarnação. Observada a ocorrência, mais com os preconceitos da sociedade, constituída na Terra pela maioria heterossexual, do que com as verdades simples da vida, essa mesma ocorrência vai crescendo de intensidade e de extensão, com o próprio desenvolvimento da
Humanidade, e o mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie, somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade ao respeito e à atenção devidos às criaturas heterossexuais. A coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade, em si,  exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinqüência. A vida espiritual pura e simples se rege por afinidades eletivas essenciais; no entanto, através de milênios e milênios, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas. O homem e a mulher serão, desse modo, de maneira respectiva, acentuadamente masculino ou acentuadamente feminina, sem especificação psicológica absoluta. A face disso, a individualidade em trânsito, da experiência feminina para a masculina ou vice versa, ao envergar o casulo físico, demonstrará fatalmente os traços da feminilidade em que terá estagiado por muitos séculos, em que pese ao corpo de formação masculina que o segregue, verificando-se análogo processo com referência à mulher nas mesmas circunstâncias. Obviamente compreensível, em vista do exposto, que o Espírito no renascimento, entre os homens, pode tomar um corpo feminino ou masculino, não apenas atendendo-se ao imperativo de encargos particulares em determinado setor de ação, como também no que concerne a obrigações regenerativas. O homem que abusou das faculdades genésicas, arruinando a existência de outras pessoas com a destruição de uniões construtivas e lares diversos, em muitos casos é induzido a buscar nova posição, no renascimento físico, em corpo morfologicamente feminino, aprendendo, em regime de prisão, a reajustar os próprios sentimentos, e a mulher que agiu de igual modo é impulsionada à reencarnação em corpo morfologicamente masculino, com idênticos fins. E, ainda, em muitos outros casos, Espíritos cultos e sensíveis, aspirando a realizar tarefas específicas na elevação de agrupamentos humanos e, conseqüentemente, na elevação de si próprios, rogam dos Instrutores da Vida Maior que os assistem a própria internação no campo físico, em vestimenta carnal oposta à estrutura psicológica pela qual transitoriamente se definem. Escolhem com isso viver temporariamente ocultos na armadura carnal, com o que se garantem contra arrastamentos irreversíveis, no mundo afetivo, de maneira a perseverarem, sem maiores dificuldades, nos objetivos que abraçam. Observadas as tendências homossexuais dos companheiros reencarnados nessa faixa de prova ou de experiência, é forçoso se lhes dê o amparo educativo adequado, tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual. E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da vida eterna, os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e Misericórdia. Isso porque todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Festas Juninas

A função maior de um Centro Espírita é divulgar a Doutrina Espírita. Com pequenas variações, a divulgação da Doutrina Espírita nas Casas Espíritas se dá através das seguintes formas: 1-Estudos e Cursos, 2-Palestras, 3-Evangelização Infanto-Juvenil, 4-Assistências Social e 5-Assistência Espiritual (na qual se inclui a desobsessão).  

Além dessas ações principais, as casas espíritas podem, a seu turno, executarem ações secundárias, principalmente nas áreas da arrecadação de recursos e da congregação dos seus participantes.  É preciso lembrar porém que essas ações secundárias devem guardar coerência doutrinária, e não é em nome do que "é de César" que devemos contrariar "o que é de Deus".

No caso específico das festas juninas, qualquer pesquisa minimamente séria encontrará como origem desses festejos as celebrações pagãs durante o solstício de verão que ocorriam na Europa desde antes da consolidação das civilizações clássicas grega e romana. Eram festejos de agradecimento aos deuses, caracterizados principalmente pela fogueira, pelos casamentos e pela mesa farta.

Ainda em um nível muito superficial de pesquisa, se encontrará a oportuna apropriação desses festejos ao calendário católico quando da consolidação do catolicismo como religião oficial do Império Romano, sendo esses festejos associados a Antônio de Pádua, João Batista e Pedro, o apóstolo. No Brasil, essa associção é tão forte, que muitas vezes usa-se a expressão "o São João" referindo-se ao período das festas juninas.

No Brasil, incorporaram-se às festas juninas elementos do folclore africano e outros desenvolvidos pela nossa própria cultura. Em um Brasil predominantemente rural qualquer ação no sentido de uma boa colheita era aceita e praticada de bom grado, ainda mais com o aval da santa madre igreja.  

Não demorou para que esse caldeirão cultural formasse corpo próprio na cultura nacional. O que é interessante e necessário. Entretanto cabe-nos analisar a simbologia.

1) Fogueiras e fogos de artifício, homenageiam o deus sol, Portanto, um símbolo politeísta, em contraste direto com o primeiro princípio básico da Doutrina Espírita, que é o Deus Único.

2) O casamento: É uma referência ao hábito de se promoverem grandes festas nos períodos de abundância material. Nessa simbologia, o casamento é mais uma conveniência terrena do que um enlace espiritual. Mas uma vez em contradição com uma Doutrina que nos ensina que os laços duradouros são os do Espírito.

3) A comilança: Está associada a felicidade de ter sido abençoado pelos deuses.  Nesse aspecto, comemora-se empanturrando-se das comidas abundantes na região (milho, pinha, etc).  É mais uma vez a vitória da matéria sobre o espírito, isso sem desconsiderar as pitadas de politeísmo. novamente em situação diametralmente oposta a uma Doutrina que ensina o respeito ao corpo físico, dádiva divina destinada ao nosso aperfeiçoamento.

4) Os trajes caipiras: Uma característica brasileira. Mesmo nesse aspecto, os irmãos do Brasil rural são retratados falando errado, com roupas rotas, com dentes estragados e com trejeitos que beiram o ridículo. É mais um contrasenso com uma Doutrina que ensina a nos tratarmos com amor, o que obviamente inclui o respeito.

5) As sinhazinhas são uma referência direta ao triste período da escravidão amparada pelo Estado e pela sociedade. 

6)Não farei alusão ao quentão ou demais alcoólicos (presentes nas festas juninas) por motivos óbvios

Enfim, devido ao caráter festivo e feliz das festas juninas, elas podem ocorrer em muitos locais. Inclusive em alguns centros espíritas esquecidos de que em um local destinado a divulgação da Doutrina Espírita é um tremendo contrasenso promover algo que continue a semear nas mentes dos frequentadores idéias que contradizem totalmente os ensinamentos da Doutrina que estes se propõe a divulgar. É incoerente. Somente justificável pela ignorância a cerca ou da doutrina ou da simbologia dos festejos juninos.

Para concluir, uma reflexão do Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo V, item 24.

"Toda a gente fala da desgraça, toda a gente já a sentiu e julga conhecer-lhe o caráter múltiplo. Venho eu dizer-vos que quase toda a gente se engana e que a desgraça real não é, absolutamente, o que os homens, isto é, os desgraçados, o supõem" [...]

"[...] Para julgarmos de qualquer coisa, precisamos ver-lhe as conseqüências. Assim, para bem apreciarmos o que, em realidade, é ditoso ou inditoso para o homem, precisamos transportar-nos para além desta vida, porque é lá que as conseqüências se fazem sentir" [...]

"[...] Vou revelar-vos a infelicidade sob uma nova forma, sob a forma bela e florida que acolheis e desejais com todas as veras de vossas almas iludidas. A infelicidade é a alegria, é o prazer, é o tumulto, é a vã agitação, é a satisfação louca da vaidade, que fazem calar a consciência, que comprimem a ação do pensamento, que atordoam o homem com relação ao seu futuro. A infelicidade é o ópio do esquecimento que ardentemente procurais conseguir"

A Doutrina Espírita é assim. Relativamente simples de entender. Relativamente difícil de praticar, porque é muito difícil abandonar velhos hábitos. Ainda mais quando se desconhece ou se fecha os olhos ao caminho que orienta para hábitos mais adequados.

Que a Graça e Paz do Mestre nos ajude a refletir sobre esse assunto.

Marcus Vinícius

terça-feira, 8 de março de 2011

A "pureza" doutrinária

Vou falar de um tema que me incomoda. A tal "pureza doutrinária", expressão que vem sendo usada aqui e ali pelos vigilantes defensores do Espiritismo puro. E porque isso me incomoda ? Em primeiro lugar a palavra "pureza" me incomoda. Porque ? Ora, porque em nosso planeta não existe nada "puro". Mesmo que partamos da hipótese de que a fonte (Os espíritos superiores) seja pura, temos que admitir que o conduto (os médiuns)  e os intérpretes (nós outros) não o são, e que portanto alguma contaminação há de se passar na mensagem. Ainda me incomoda o termo pureza, porque a mim, particularmente soa como algo nazista, segregacionista, inquisitorial e tudo de ruim que esses comportamentos podem trazer.

Eu entendo que muitos do que defendem a "pureza" estão mais preocupados com a "coerência" doutrinária, isto é, preocupam-se em observar que movimentos esdrúxulos que não possuem relação alguma com a Doutrina Espírita se imiscuam no movimento espírita se apropriando do termo "espiritismo" como um elemento de promoção delas e deturpação do espiritismo. Caso seja essa a preocupação vale a pena relembrar alguns comentários contidos na introdução do Evangelho Segundo o Espiritismo.

No título II, da Introdução são registrados os  seguintes comentários:

1) [...] Nessa universalidade do ensino dos Espíritos reside a força do Espiritismo [...]

2)  [...] Não é essa, porém, a única vantagem que lhe decorre da sua excepcional posição. Ela lhe faculta inatacável garantia contra todos os cismas que pudessem provir, seja da ambição de alguns, seja das contradições de certos Espíritos. Tais contradições, não há negar, são um escolho; mas que traz consigo o remédio, ao lado do mal [...]

3) [...] há presunçosos e sofômanos, que julgam saber o que ignoram; sistemáticos, que tomam por verdades as suas idéias [...] 

4) [...] Daí resulta que, com relação a tudo o que seja fora do âmbito do ensino exclusivamente moral, as revelações que cada um possa receber terão caráter individual, sem cunho de autenticidade; que devem ser consideradas opiniões pessoais de tal ou qual Espírito e que imprudente fora aceitá-las e propagá-las levianamente como verdades absolutas [...]

5) [...] Toda teoria em manifesta contradição com o bom-senso, com uma lógica rigorosa e com os dados positivos já adquiridos, deve ser rejeitada, por mais respeitável que seja o nome que traga como assinatura [...]


Poderia colocar mais passagens de outras obras, mas as anteriores bastam para apontar onde quero chegar: As vezes, ao combater veementemente alguém ou alguma ideia,  abrindo espaços para polêmicas e debates, ou mesmo simplesmente citando esse ou aquele, acabamos lançando luz sobre a obscuridade, que muitas vezes tem apenas o objetivo de retardar a marcha. E pensando em sermos àqueles que vigiam os portões da pureza, somos os promotores dos que ainda tentam impedir a inevitável difusão do Espiritismo.

Eu sei que esses escolhos, traduzidos em práticas alheias ao espiritismo fenecerão todos pela própria força do progresso e da marcha para a difusão das ideias espíritas. 

Então irmão, que a nossa defesa da coerência Doutrinária se dê através de nossos pensamentos, atos e palavras. A função de guardião do Espiritismo, se existir, não estará em espíritos como nós outros ainda necessitados de muitas encarnações para compreender a essência dessa Doutrina.

Graça e paz a todos.









quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Crescimento do Espiritismo

Na questão 798 do Livro dos Espíritos Kardec teve a preocupação de indagar aos Espíritos Superiores se o Espiritismo se tornaria crença comum ou ficaria restrito à categoria de seita. Vejamos a pergunta e a resposta:


798. O Espiritismo se tornará crença comum, ou ficará sendo partilhado, como crença, apenas por algumas pessoas?

Certamente que se tornará crença geral e marcará nova era na história da humanidade, porque está na natureza e chegou o tempo em que ocupará lugar entre os conhecimentos humanos. Terá, no entanto, que sustentar grandes lutas, mais contra o interesse, do que contra a convicção, porquanto não há como dissimular a existência de pessoas interessadas em combatê-lo, umas por amor-próprio, outras por causas inteiramente materiais. Porém, como virão a ficar insulados, seus contraditores se sentirão forçados a pensar como os demais, sob pena de se tornarem ridículos.”

Vamos analisar essa resposta ?

Primeiramente vamos lembrar de que durante muito tempo de nossas existências a imensa maioria concordava com a teoria de que a terra era o centro do universo, e que éramos mesmo as únicas criaturas inteligentes, enfim... os primeiros que vieram esclarecer que nosso pequeno planeta não era o centro senão do nosso orgulho e da nossa ignorância foram tidos por subversirvos, demoníacos e conseqüentemente perseguidos... E choviam argumentos bíblicos e científicos,  sagrados tanto para a ciência quanto para a religião da época, condenando tudo que fosse diferente da teoria de Ptolomeu.

Mas e hoje ? qual é a crença geral ? A crença geral é a de que nosso pequeno planeta gira em torno do  nosso pequeno sol... E porque é essa a crença geral ? Simplesmente porque está na natureza. E aquele que tiver coragem de defender o geocentrismo será tido na conta de louco e ridículo. 

O que o espiritismo faz hoje assemelha-se ao que os heliocentristas fizeram ao final da idade média, ou seja, apenas apresenta uma dimensão da lei Divina que já pode ser compreendida pela maioria dos que se dispuserem a se despir do espírito de sistema e dos interesses defendidos por cada um desses sistemas.

Fatos como reencarnação, mediunidade, magnetismo humano, vida inteligente em outros orbes são fatos da natureza, e por isso mesmo se tornarão crença geral...

Então não nos angustiemos desejando que todos aceitem os princípios básicos do Espiritismo. Entadamos que há muito mais de interesse pessoal e coletivo em rejeitá-los do que argumento fundamentado, mesmo porque não se pode fundamentar um argumento contrário a natureza.

É esperar para ver.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Eu sou assim desse jeito

Vejamos uma instrução dos espíritos contida no Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo IX, item 10.

"Segundo a idéia falsíssima de que lhe não é possível reformar a sua própria natureza, o homem se julga dispensado de empregar esforços para se corrigir dos defeitos em que de boa vontade se compraz[...]"

Ainda nesse mesmo item 10:

[...] Compenetrai-vos, pois, de que o homem não se conserva vicioso, senão porque quer permanecer vicioso; de que aquele que queira corrigir-se sempre o pode. [...]

Resumindo: desculpas como: "você me conheceu assim", "eu sou assim mesmo", "pau que nasce torto, morre torto" e outras tantas nessa mesma linha são escusas de quem gosta do erro e se compraz nele.

Mesmo que ainda não tenhamos a possibilidade de nos vencer em grande parte de nossos erros, que pelo menos paremos de proferir construções verbais que sustentam o nosso desejo de permanecer no erro. Afinal, as palavras são as embaixadoras do nosso pensamento.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Espiritismo grande ou pequeno ?

Breve reflexão sobre a questão de ter um grande número de pessoas em centros e eventos espíritas...

No Livro Dos Médiuns, Questão 334, pode-se ler:

[...] A dificuldade, ainda grande, de reunir crescido número de elementos homogêneos deste ponto de vista, nos leva a dizer que, o interesse dos estudos e por bem da causa mesma, as reuniões espíritas devem tender antes à multiplicação de pequenos grupos, do que à constituição de grandes aglomerações [...]

Sem falar que a capilaridade dos centros tem as seguintes vantagens:

1- Maior penetração na sociedade
2- Dificultar o combate dos opositores (múltiplas frentes)
3- Possibilitar discrição para quem ainda tem receio de ingressar em casas espíritas
4- Dificultar o personalismo (sem grandes pastores ou guias)
5- Maior número de comunicações independentes...

E por aí vai...

E se é assim em relação a constituição dos centros. Podemos ter algum paralelo sobre a constituição dos eventos. Nesse raciocínio é melhor (mais eficiente) termos a multiplicação dos pequenos eventos do que a realização de eventos grandiosos. Em um exemplo, é melhor ter vários seminários pequenos em muitas cidades do que ter um grande congresso em uma única cidade. E esse desdobramento quanto ao espaço no mesmo tempo também pode ser refletido para um desdobramento de tempo em um mesmo espaço, isto é, considerando um local fixo, um centro por exemplo, é melhor fazer muitos pequenos eventos sobre um tema do que um único grande evento sobre o mesmo tema. A grandiosidade do evento não está no número de participantes, e sim no bem efetivo oriundo do mesmo.

OBS1: O parágrafo anterior contém interpretações pessoais com base na questão 334 do Livro dos Médiuns

OBS2: Nem sempre o possível é o ideal. Assim, enquanto não se pode ainda fazer o ideal, faz-se o possível.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Caminhos da reconciliação

Um aprendizado que incorporei recentemente é que o perdão e a reconciliação são inevitáveis, e na acepção correta da palavra, são fatais. Em outras palavras, o que eu aprendi é que todos os ódios e os ressentimentos inevitavelmente acabam em um momento de reconciliação.

O que nos é facultado por Deus através do livre arbítrio é a escolha dos caminhos que nos levarão a esse instante libertador. Nos resta então escolher o melhor caminho para as nossas condições de compreensão das leis divinas, entendendo que mesmo parecendo estranho, o caminho do perdão e da reconciliação é uma via de mão única onde não nos cabe estabelecer condições... Perdão que é perdão é incondicional.

Eu cheguei a essas descobertas através da dor própria e da observação da dor alheia, que acabaram por me provar objetivamente a inevitabilidade da reconciliação e do perdão.

O que isso nos recomenda pra vida prática ? creio que seja o exercício da recomendação do Cristo de nos reconciliarmos com nossos desafetos enquanto caminham ao nosso lado...

Acreditem meus irmãos e irmãs... Quando nosso orgulho, através de suas milhares de justificativas, nos impede de trilhar os caminhos da reconciliação, a dor é muito grande, mil vezes maior do que o orgulho, pois essa dor faz vergar qualquer orgulhoso ao chão sob o peso de uma angústia sufocante e paralisante...

E se por acaso, existe em sua vida alguém a quem você devota desafeto, não deixe que isso se estenda mais do que já se estendeu ! comece a trilhar o caminho da reconciliação, sufoque o orgulho e caminhe, e escolha as lágrimas de felicidade ao invés das lágrimas de fogo que fazem prostrar ao chão.

Hoje eu entendi melhor a recomendação do nosso mestre maior quando nos disse para reconciliar-se com nosso inimigo enquanto este caminha ao nosso lado...

Que de alguma forma essas reflexões sejam úteis, e que com a graça de Deus evitem dor e sofrimento desnecessários.

Graça e paz a todos !

domingo, 19 de julho de 2009

Princípios e Ideias

Dentro de um corpo doutrinário um princípio é uma ideia primitiva a partir da qual se derivam as demais ideias da doutina.

Por exemplo: Um princípio da Doutrina Espírita é: "Deus é perfeito"

A partir desse princípio (ou idéia primitiva) se derivam as ideias de que:

1 - Deus é justo
2 - Deus é provedor

E assim por diante.

Todas as Doutrinas (conjunto de ideias) são construídas com ideias primitivas e ideias derivadas. Essas ideias primitivas recebem o nome de princípios e formam a base de pensamento onde se fundamenta a doutrina e a partir da qual são acrescentadas novas camadas de ideias derivadas.

Os princípios de uma doutrina são perenes. Nunca mudam. As ideias derivadas podem sofrer alterações em conformidade com o progresso humano em todos os campos do conhecimento.

Resumindo:
1 - Uma doutrina é um conjunto de ideias
2 - As ideias primitivas, que formam a base imutável são chamadas de princípios
3 - As outras ideias doutrinárias derivam dos princípios doutrinários e formam o corpo doutrinário de uma doutrina.
4 - As idéias derivadas podem mudar em conformidade com o progresso do entendimento humano.

sábado, 18 de julho de 2009

O que é Doutrina

Antes de mais nada é necessário que nos entendamos quanto as palavras. Portanto, antes de querer entender a Doutrina Espírita é necessário entender o que é uma Doutrina.

De forma bem objetiva e simplificada, Doutrina nada mais é do que um conjunto de princípios e idéias sistematicamente organizadas com o objetivo de explicar ou fazer compreender algo.

Temos por exemplo as doutrinas econômicas tais como o liberalismo e o neoliberalismo, que são conjunto de idéias que explicam o equilíbrio de forças dos mercados econômicos em geral. Do mesmo modo, existem doutrinas jurídicas, sociais, educacionais e assim por diante...

Resumindo: Doutrina é um conjunto de princípios e idéias.